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8 erros no recebimento e armazenamento de tijolos e telhas na obra

Por Renato Siqueira Lobo · Publicado em 23/10/2026 · Atualizado em 23/10/2026

8 erros no recebimento e armazenamento de tijolos e telhas na obra

Quem constrói ou reforma em Jaguariúna, Pedreira ou Holambra costuma dedicar semanas à escolha do bloco e da telha e poucos minutos ao momento em que o material chega ao lote. É nesse intervalo, entre o caminhão estacionado na rua e a primeira fiada assentada, que acontece boa parte da quebra e do desperdício de cerâmica vermelha. Peças trincadas no manuseio, manchadas pela umidade do solo ou misturadas sem critério acabam virando entulho ou defeito visível na parede e no telhado. A lista abaixo reúne oito erros frequentes no recebimento e no armazenamento de tijolos, blocos e telhas, com observações práticas para obras residenciais da região metropolitana de Campinas.

1. Não conferir a carga antes de assinar o recebimento. O recomendável é contar paletes ou milheiros na presença de quem entrega e comparar com o que foi combinado. Vale separar algumas peças ao acaso e observar: arestas inteiras, faces sem trincas, ausência de manchas escuras de queima irregular e dimensões coerentes entre si. Um teste simples é bater levemente uma peça na outra; cerâmica bem queimada produz som claro, enquanto um som abafado pode indicar trinca interna ou queima insuficiente. Anote qualquer divergência no próprio documento de entrega, com foto, antes de o veículo sair.

2. Descarregar jogando as peças. Tijolos e telhas lançados da carroceria para o chão sofrem microfissuras que nem sempre aparecem no dia, mas surgem depois, quando a peça é cortada ou recebe carga na parede. Em ruas estreitas de bairros antigos de Amparo e Pedreira, a tentação de agilizar a descarga é grande. Combine antes o local exato de despejo, prefira descarga manual ou com paleteira quando houver acesso, e mantenha o caminho entre a rua e a pilha livre de entulho, pedras soltas e degraus improvisados.

3. Empilhar direto sobre a terra. O solo argiloso comum em Jaguariúna e Santo Antônio de Posse retém umidade por dias depois de uma chuva. Peças apoiadas na terra absorvem água pela base, acumulam barro e podem desenvolver eflorescência, aquelas manchas esbranquiçadas de sais que migram para a superfície. Use estrados de madeira, paletes ou uma camada de tábuas sobre o terreno nivelado. 4. Deixar tudo exposto à chuva de verão. Entre dezembro e março, temporais de fim de tarde são frequentes na região. Cobrir as pilhas com lona evita encharcamento, mas a lona deve ficar presa com folga lateral para permitir ventilação e não abafar o material.

5. Montar pilhas altas demais ou guardar telhas deitadas. Pilhas de blocos acima de 1,5 metro ficam instáveis e dificultam a retirada segura, sobretudo em terrenos com leve declive, tão comuns nos loteamentos da região. Para telhas cerâmicas, a orientação usual é armazená-las em pé, levemente inclinadas e encaixadas umas nas outras, em fileiras curtas, com calços nas extremidades. Telhas deitadas em grandes montes concentram peso nas de baixo e aumentam a quebra. Também convém manter as pilhas longe da área de circulação de carrinhos de mão e da betoneira, onde batidas acidentais acontecem todos os dias.

6. Misturar lotes de fornadas diferentes. A cerâmica vermelha varia de tom conforme a argila e a temperatura do forno. Em alvenaria que será rebocada, isso pouco importa, mas em tijolo aparente, lajotas de piso ou telhado visível a diferença salta aos olhos. Quando a compra é feita em etapas, guarde algumas peças do primeiro lote como referência e, no momento de assentar, alterne peças de pilhas diferentes para distribuir eventuais variações em vez de concentrá-las num pano de parede ou numa água do telhado. A mesma lógica vale para pequenas diferenças de medida entre lotes.

7. Esquecer a margem de quebra no planejamento. Mesmo com cuidado, cortes, ajustes de vãos de portas e janelas e o manuseio diário geram perdas. Em obras residenciais, é comum prever algo entre 5% e 10% sobre a quantidade calculada para blocos e telhas, conforme a complexidade da planta e do telhado. Telhados com muitas águas, rincões e espigões tendem a exigir margem maior. Reservar algumas telhas inteiras depois da obra também é prudente: a reposição pontual, anos mais tarde, fica simples quando o modelo e o tom estão guardados no depósito.

8. Assentar o bloco totalmente seco ou encharcado. A cerâmica é porosa e absorve água da argamassa. Peças muito secas, sobretudo nos dias quentes de setembro e outubro em Mogi Mirim e Holambra, retiram umidade do assentamento e prejudicam a aderência. Peças encharcadas, ao contrário, fazem a argamassa escorrer e atrasam a pega. A prática mais comum é umedecer levemente as faces pouco antes do uso, com mangueira ou broxa, sem deixar água acumulada nos furos. Quando a orientação do fabricante da argamassa indicar outro procedimento, ela deve prevalecer.

Nenhum desses cuidados exige equipamento especial. Eles dependem de combinar a entrega com antecedência, reservar um espaço plano, firme e coberto no terreno e acompanhar de perto os primeiros dias de canteiro, quando a pressa costuma falar mais alto. Uma conversa curta com o pedreiro sobre onde ficarão as pilhas e como as peças serão retiradas já evita boa parte das perdas. Este conteúdo tem caráter editorial e informativo: a Ceramica A. Battocchio publica orientações gerais sobre cerâmica vermelha e não comercializa material, não faz orçamentos nem indica revendas. Para dúvidas técnicas específicas da sua obra, a conversa com o responsável técnico continua sendo o caminho adequado.